Edinanci aceita redução salarial e lamenta saída de Honorato


Há um mês, os judocas Edinanci Silva e Carlos Honorato foram dispensados – em uma lista com 720 nomes – do quadro de atletas do município de São Caetano do Sul e tiveram de decidir novos rumos para suas carreiras. Após aceitar ter seu salário reduzido para seguir competindo pela cidade, a bicampeã pan-americana lamentou nesta quinta-feira a saída do medalhista de prata na Olimpíada de Sidney de sua equipe.
“A saída de Carlos Honorato é uma perda muito grande para a equipe aqui de São Caetano. Ele tem experiência de sobra, assim como eu”, disse a atleta de 34 anos. “Fiquei até triste pelo fato de a cidade ter deixado ele escapar”.
Após a dispensa dos 720 atletas, a prefeitura de São Caetano do Sul anunciou a recomposição de seu quadro com a contratação de 600 esportistas nesta quinta-feira. No entanto, esclareceu que passa a mobilizar esforços à formação de novos atletas – o que acaba por descartar Honorato, 36 anos, dos objetivos da cidade.
“Eu acho que esse tipo de projeto (focado nas categorias de base) tem de valorizar não só os atletas prata da casa, da base, mas também os atletas que fazem parte da história da cidade. Se o Honorato, que tem um currículo de competição muito grande, for embora de São Caetano, acho que a cidade perde muito em questão de experiência”, criticou a judoca.
Edinanci afirma que aceitou renegociar seu salário porque está na hora de retribuir ao município todo o apoio que recebeu no início de carreira.
“Minha historia aqui em São Caetano é bem maior do que tudo que está acontecendo. Vim para cá em 1998 e, de lá para, cá são três Olimpíadas, três Pan-Americanos, vários resultados positivos a nível internacional. Eu não poderia abandonar São Caetano, pois eles sempre me deram um apoio imenso”, comentou. “Não só eu, mas todos os atletas receberam propostas. Eu resolvi não pensar no lado financeiro e dispensei propostas muito melhores”.
Ídolo procura emprego
Ao contrário do que aconteceu com Edinanci, Carlos Honorato optou por não negociar uma redução em seu salário com a cidade e acabou pagando caro por isso.
“Em janeiro todos foram dispensados e, neste retorno, eu optei por não voltar. Quando me dispensaram, já pensei que não voltaria, então não houve nem mesmo conversa com eles”, contou o atleta ao Terra. “Agora estou procurando emprego, procurando um lugar para dar aula e mostrar toda a experiência que tenho no judô”, completou.
O atleta diz que sua prioridade é ensinar novos talentos, mas não descarta uma tentativa de voltar à Seleção Brasileira para disputar competições oficiais.
“Acredito que eu tenha condições de fazer uma seletiva para entrar na Seleção Brasileira para disputar competições maiores, mas neste momento não tenho esta pretensão. Agora quero acertar minha vida, dar aulas, passar meus conhecimentos aos mais jovens”, afirmou.
Murilo Aquino – Terra

0 Comentários