Judoca do Fla e da seleção desabafa.

Há pouco mais de um ano, Nacif Elias trocou o Minas Tênis Clube pelo Flamengo. Em busca do sonho olímpico, o judoca capixaba se mudou para o Rio de Janeiro e foi recebido de braços abertos na Gávea. Agora, a lua-de-mel chegou ao fim. Nesta terça-feira, a nova diretoria do clube confirmou ofim do apoio ao judô e à ginástica olímpica profissional. Os contratos de 28 atletas dos dois esportes não serão renovados. Entre eles, estão quatro nomes que integram a seleção brasileira de judô: Érika Miranda, Juliene Aryecha, Nacif Elias e Mauro Moura.Depois de ficar sabendo da notícia por meio da imprensa, Nacif ainda não sabe o que vai fazer. Sem local para treinar, o atleta, que em fevereiro conquistou a medalha de bronze no Aberto de Budapeste (Hungria) com a seleção brasileira, já cogita voltar para a casa dos pais, no Espírito Santo, e até trocar o judô pelo MMA. Com um filho de 2 anos e 5 meses para criar, o pequeno João Davi, o atleta não vê outra alternativa.- Amo o Flamengo, mas não sei o que vou fazer. Saí do Minas, e o Flamengo abriu as portas para mim. Mas vou fazer o que num clube que tira o apoio aos seus judocas? Eu tenho um filho para criar e gosto de dar o melhor para ele. Amo o judô, mas amo minha família em primeiro lugar. Acho que vou voltar para o Espírito Santo e treinar sozinho. Como vou ser campeão se não tenho onde treinar. De repente até mudo para o MMA - desabafou.Nacif acredita que a decisão de acabar com os esportes olímpicos não resolverá o problema financeiro do Flamengo. Muito pelo contrário:- Acabando com o judô, com o esporte olímpico rubro-negro, isso não vai solucionar o problema do clube. Pode até piorar se o futebol não der resultado. O torcedor veste a camisa do Flamengo, seja no futebol ou nos outros esportes.Apesar de estar sem rumo, Nacif confia no apoio da Confederação Brasileira de Judô para que essa história tenha um final feliz para os judocas do Flamengo que ficarão sem "casa".- Eu acredito que a CBJ está fazendo um excelente trabalho. Espero que eles apoiem mais os clubes e os atletas que estão buscando treino. Tenho certeza que eles vão apoiar esses atletas. Eles não vão deixar a gente na mão - disse.A técnica da seleção brasileira feminina, Rosicléia Campos, também não terá seu contrato renovado. Mas a direção do Flamengo se mostrou disposta a conversar com a treinadora para uma possível permanência, caso ela aceite readequar o seu salário ao novo orçamento do esporte. Já a atleta olímpica olímpica Érika Miranda, única que tem contrato em vigor, válido até maio (os outros judocas recebem apenas ajuda de custo), ainda terá seu caso discutido pelo departamento para decidir se antecipa a rescisão. No ano passado, a equipe feminina de judô conquistou o título inédito do Grand Prix Interclubes. Nacif também comentou a situação da técnica.- É uma falta de respeito pela história que ela tem no Flamengo. Ela veste a camisa do Flamengo e da seleção brasileira. Quem a conhece, sabe que é uma pessoa maravilhosa - finalizou.


Fonte: Globo Esporte




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