Rickson Gracie lança federação e garante: ‘Quero revolucionar o Jiu-Jitsu’

Rickson Gracie lança federação e garante: ‘Quero fazer uma revolução no Jiu-Jitsu’


Rickson espera revolucionar o esporte (Foto Eduardo Ferreira)
Um marco na história do esporte. É assim que Rickson Gracie vê o lançamento da Jiu-Jitsu Global Federation. Incomodado com os rumos da arte suave, que, para ele, está mais voltada para as competições do que para a defesa pessoal, o “Samurai” decidiu atuar na área política da modalidade. Admirado e, sobretudo, respeitado no âmbito da arte marcial, Rickson será o líder que tentará revolucionar o Jiu-Jitsu. Com união, novas ideias e força de vontade, espera colocar o esporte em um outro patamar de profissionalismo e, através da essência da arte suave, torná-la mais dinâmica e menos “amarrada”.
Em primeira mão à TATAME, nesta sexta-feira (18), Rickson deu mais detalhes sobre a fundação de sua federação e adiantou algumas novidades, como o fim das vantagens nos combates, a criação de um conselho formado por expoentes do Jiu-Jitsu e revelou que o primeiro evento promovido pela JJGF deverá acontecer em outubro.
Confira o bate-papo na íntegra:
Como surgiu a ideia de criar a JJGF?
Estou amadurecendo a ideia há um tempo. A minha maior motivação para entrar nesse novo caminho, da parte política do Jiu-Jitsu, é exatamente a perda da eficácia da arte. O que vejo nas competições e academias é o fomento do Jiu-Jitsu competitivo e uma constante diminuição do Jiu-Jitsu como defesa pessoal. O Jiu-Jitsu competitivo criou um inimigo grande, que é o antijogo. A maioria dos atuais campeões é eficiente na conquista da medalha, mas nem tanto no esporte em si. Os lutadores passaram a ter segurança na conquista das medalhas e controlam as posições, pois sabem que uma vantagem garante a vitória. Minimiza-se o risco de perder. A finalidade não é ser o melhor lutador: é ganhar a medalha. Se continuar assim, o Jiu-Jitsu será como o Caratê ou como o Judô – algo específico para o esporte – e desalinhado com a defesa pessoal.
Como pretende resgatar essa eficácia?
A missão da Jiu-Jitsu Global Federation é servir à comunidade e ao esporte. Os pilares são: educação, informação e eventos. Queremos que outros eventos sejam legitimados pela nossa federação. Hoje, existe uma comunidade dividida. A nossa federação é sem parcialidade, com a cabeça aberta à contribuição do mundo inteiro. É algo que não existe atualmente. Estou fazendo isso com a verdade no coração. O nome federação é bonito, mas o trabalho de federação, que é um serviço, deixa a desejar na minha visão. Não estou preocupado com vozes contra meu sistema ou retaliação. Estou abraçando uma briga para a minha vida.

Ex-lutador afirmou que a educação é um dos caminhos para a evolução da modalidade (Foto Erik Engelhart)
A IBJJF é a principal organização da arte suave. Por que ela adotaria as ideias da JJGF?
A ideia não é concorrer, e, sim, ajudar. Eu não vejo nenhuma organização do Jiu-Jitsu que trabalhe como uma federação realmente. Se há uma federação que promova eventos e tenha uma condição de proteção da própria instituição, isso causa divisão. Há boas organizações do Jiu-Jitsu desenvolvendo o esporte, com crescimento no número de competidores, mas nenhuma tenta unificar o esporte. Independentemente do que já exista, a JJGF quer unir interesses através de informação e reconhecimento dos eventos pelo mundo. Geralmente, as federações são fundadas para ganhar dinheiro com inscrições. Virou máquina de fazer dinheiro. Não há nada errado nisso, mas essa visão comercial, digamos assim, impede o crescimento do esporte e divide a comunidade.
Que mudanças nas regras irá propor?
A nossa federação tem regras novas, que serão sugeridas para tentarmos implementá-las. Alguns eventos legitimados pela JJGF já vão começar a adotar as nossas regras este ano. É claro que, se você perguntar ao campeão que vence tudo na regra atual, ele falará que não gostou da nova regra. Mas não estou preocupado com isso. O que me preocupa são os 85% da comunidade, formados por faixas-brancas e azuis. A nossa regra tem alguns detalhes, mas a maior mudança é o fim das vantagens. A vantagem é bola na trave, é o quase, não altera o placar. E existe ponto negativo para amarração. Se você para em uma posição e espera apenas o adversário se mexer, recebe um aviso do juiz. Se a situação persistir, a partir de um determinado tempo, a mesa começa a contar pontos negativos. Isso dará dinamismo à luta, resgatando a eficiência da movimentação. Muitos campeões fazem uso do antijogo, colocam o pé no freio, controlam e conseguem o necessário para ganhar a medalha. Traremos, ainda, um software, que vai filmar a luta ao vivo. Quando houver algum problema, volta-se a imagem para ver se houve erro ou não. No tênis, usam a tecnologia para dizer se a bola foi dentro ou fora. A imagem é uma das maneiras de deixar a pontuação mais clara e simples. A Regra Desafio também poderá ser adotada pelos promotores de eventos. Ganha quem finalizar, não há pontos. É como no Metamoris, há outros campeonatos que também fazem isso nos Estados Unidos. É uma forma de lutar do jeito que quiser, solto, sem pontos. É como acontece na academia, e, às vezes, o magrinho pega o grandão.

Rickson crê que a divisão existente no Jiu-Jitsu afasta o esporte das Olimpíadas (Foto Erik Engelhart)
Quais as novidades que a JJGF irá trazer?
Todas as academias que tenham endereço e professor poderão entrar no diretório da JJGF, como forma de validar e reconhecer as academias de Jiu-Jitsu. Nós criaremos um profile virtual para todos os competidores e praticantes de Jiu-Jitsu, uma espécie de comunidade. O indivíduo poderá postar suas lutas, mostrar seu trabalho, o que o ajudará a angariar patrocínios, por exemplo. É um movimento que agrega a conexão com a comunidade. Também formaremos um conselho composto por grandes mestres, como João Alberto Barreto, Álvaro Barreto, Pedro Valente, Carlos Gracie Jr., José Henrique Leão, Márcio Feitosa, Royler, Rilion, Renzo, Crolin Gracie, Romero Jacaré, Fábio Gurgel, dentre outros. Muitos desses grandes nomes já aceitaram o convite, outros ainda não responderam. Esses mestres terão voz ativa, darão opiniões sobre o esporte. Por meio de uma plataforma moderna, usando ferramentas atuais, a gente poderá, dentro de um fórum, colocar em contato um praticante do Japão, com esses mestres comigo, inclusive. É um espaço democrático e saudável para ajudar na evolução. Esse conselho favorece o progresso do Jiu-Jitsu.
O vídeo de lançamento da JJGF fala muito em educação. De que forma ela será utilizada?
A JJGF vai educar o praticante. Um faixa-preta que foi graduado pelos resultados nas competições e montou sua própria academia é um grande faixa-preta, sem dúvidas. Mas pode não ter elementos para a preservação do Jiu-Jitsu. Iremos sugerir um curso da JJGF, completo, com defesa pessoal, como dar aula para crianças, para mulheres e para a polícia. Esse professor será mais capacitado e tem muito mais condições de conseguir outros alunos. Ele não vai ensinar Jiu-Jitsu para competição: irá ensinar defesa pessoal. Já ouvi que para aprender defesa pessoal tem que fazer Krav Magá. É uma tristeza escutar isso de um professor de Jiu-Jitsu.
Quando acontecerá o primeiro evento organizado pela JJGF?
Estamos querendo fazer nosso primeiro campeonato, organizado pela JJGF, em outubro, na cidade de Los Angeles. Ainda não temos nome, nem data. Antes disso, teremos alguns campeonatos já com a nossa regra, como o Vulkan, em agosto. Será dentro de uma feira, na Long Beach Sports.
Você considera a JJGF como um marco na história da arte suave?
Acho que sim. Quero fazer uma revolução, mudar tudo. A coisa mais importante hoje é preservar a eficácia do Jiu-Jitsu. Com a visão globalizada, criar um circuito mundial. Os eventos já estão aí. Como uma pessoa pode lutar um campeonato só e ser campeão mundial? Como pode lutar cinco campeonatos e ser o melhor, se há outros 60? Enquanto houver tantas bandeiras, nunca poderemos pensar no Jiu-Jitsu como um esporte olímpico.
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